fotos Gabriel Oliveira
A 56ª edição da Casa de Criadores, realizada de 22 a 27 de julho de 2025, ocupou a Sala Tarsila do Amaral, no Centro Cultural São Paulo, pela primeira vez com uma passarela em formato de “U”, recebendo 33 desfiles e reafirmando seu papel central como vitrine da moda autoral brasileira. O evento marcou o retorno de nomes emblemáticos como Fábia Bercsek, que abriu a temporada com uma coleção pautada pelo design circular e upcycling, e Guilherme Dutra, revelado na edição anterior como vencedor do Desafio Sou de Algodão. Entre os estreantes, Lucas Caslú — também oriundo do Desafio Sou de Algodão —, Guilherme Paganini, recém-formado pela FAAP com foco sustentável, e Marisa Moura, que trouxe à passarela sua estética artesanal resultante de uma trajetória iniciada nos anos 1990, despontaram como promessas criativas.
Ao longo da semana, coleções e performances que conversavam com ancestralidade, memória, sustentabilidade e identidade. O desfile-espetáculo “Experimentos”, assinado por Lucas Caslú, mesclou moda, arte e música em uma experiência sensorial única. Marlo trouxe SANTÆ, uma linha que questiona normas e celebra corpos dissidentes e afetos marginalizados, enquanto nomes como Yebo, Jacobina, Guma Joana e Mônica Anjos apresentaram criações que personalizam temas como resistência histórica, espiritualidade afro-brasileira e uma alfaiataria desconstruída, com forte apelo emocional e sociocultural.
O desfile de estreia, com a coleção intitulada adiaû — que significa “adeus” em esperanto — marcou um momento de transição, já que Érico abandona sua assinatura anterior, “a neoutopia”, e passa a assinar com seu nome próprio, sinalizando maturidade artística e renovação de identidade.
A narrativa da coleção retrata um planeta hostil e uma colônia humana exposta a calor extremo, forçando a criação de roupas invernais; isso gera uma estética de desconforto quase performática, onde o vestuário torna-se armadura emocional.
Com inspiração no minimalismo dos anos 1960, no construtivismo soviético e na arte digital contemporânea, o estilista entrega modelagens agudas, volumes estruturados e referências pessoais.
O desfile de Rober Dognani, celebrando memória e identidade, foi outro ponto alto ao resgatar afetos e religiosidade em peças delicadas e de forte carga emocional.
A Casa de Criadores reafirma a cad temporada sua vocação como plataforma plural, inovadora e engajada com as narrativas que constroem a diversidade criativa da moda brasileira.




